Naquele dia, a árvore perto da velha cabana estava excepcionalmente agitada. Os passarinhos piavam, perseguiam uns aos outros e cantavam tanto, que a árvore inteira chegava a balançar. No meio daquele bando de pardais inquietos estava Charlie, um pardalzinho que nunca ficava de fora da diversão.
“Vamos voar até as galinhas para pegar alguns grãos!”, exclamou Charlie, e todos o seguiram. Em outros momentos, ele inventava corridas acrobáticas com as moscas perto do curral, banhos na poeira ou em poças d'água, ou competições para ver quem tinha o canto mais bonito. Com Charlie, o bando nunca ficava entediado, e os pardais alegres eram observados pelos moradores de toda a vila nas montanhas, trazendo bom humor para todos.
Um dia, os pardais precisaram de um descanso de toda aquela agitação e pousaram, um ao lado do outro, nos fios da rede elétrica. Aquilo fez uma cosquinha tão gostosa nos pés de Charlie que ele não quis mais sair de lá. E imagine só: ele até descobriu uma coisa muito interessante. Ele conseguia ler, através de seus pés, o que as pessoas estavam enviando pelos fios.
“Aqui o prefeito escreveu que tinha um ninho de vespas no poço de água e os bombeiros tiveram que remover! E no próximo domingo é a feira anual!
Aquilo era fascinante! As pessoas escreviam e falavam todo tipo de coisa por aqueles fios, e, daquele jeito, Charlie podia descobrir tudo silenciosamente! A partir daquele momento, ele não se interessou por mais nada além de ficar sentado no fio e descobrir quais eram as novidades.
Nada de bicar grãos no campo, de se esconder na cerca viva, de voar sobre o lago, de brincar com os chapins ou de caçar insetos. Ele até começou a ignorar seus companheiros por causa daquela mania…