Era uma vez uma linda garotinha indígena chamada Naiá que vivia em uma aldeia na floresta. Ela tinha sete anos, tinha os cabelos e os olhos negros como a noite e um sorriso claro feito o dia. Naiá aprendeu a amar a floresta e seus bichos com sua grande família. Eles sabiam que cada animal e planta da floresta era importante para a vida de todos. Sabiam que a terra era a mãe de sua gente e que eram filhos dos rios.
Ela gostava da floresta nos dias de sol e de chuva, mas, verdadeiramente, amava suas noites de céu aberto. Achava uma lindeza a floresta às escuras e, no breu da noite, ela esforçava seus olhinhos negros para ver mais longe os bichos que também enchiam a noite de sons.
Eram aves noturnas, como corujas e bacuraus. Na escuridão, havia também o canto doce dos rouxinóis e o piado tímido dos urutaus se misturando aos cheiros noturnos.
Naiá vibrava com a selva escurecida, seus bichos noturnos e as estrelas no céu sobre sua cabeça, mas do que mais ela gostava era mesmo das noites de lua cheia sobre a mata. No céu, a lua redonda e prateada parecia expulsar parte da escuridão com sua luminosidade azulada, daí, era possível ver as silhuetas e sombras dos bichos em movimento. Refletida nas águas do rio, de lá do alto, a lua cheia reinava na noite com sua beleza, fascinando cada vez mais a pequena Naiá.
Ela achava a lua tão bela e encantadora que, às vezes, dizia a si mesma em voz alta “quando eu crescer o bastante, vou pegar a lua do céu e a guardarei só para mim de tanto que gosto dela”.
Como era de costume, quase todas as noites, em volta da fogueira no…