Corri pelas escadas até o quinto andar. Uma estudante universitária chamada Donna mora lá. O nome da universidade é tão longo e complicado que nunca consigo me lembrar, mas eu sabia que ela era uma artista. Ela sabia tocar violão, piano, flauta e bateria — o tipo de bateria que os nativos norte-americanos tocavam. E ela também sabia cantar e desenhar. Minha mãe tinha me dito que ela era muito talentosa.
Nossa professora de música já tinha nos explicado o que isso significava.
"Talento é algo com que nascemos. Por exemplo, se alguém gosta de correr e é mais rápido que todo mundo, tem talento para correr. Pode até se tornar um campeão mundial um dia, se desenvolver esse talento. Nossa Jane aqui desenha muito bem. Ela não precisa nem ser ensinada, ela simplesmente pega o lápis e desenha. Mas ainda precisa praticar, desenhar cada vez mais. Algumas pessoas têm até a sorte de conseguir viver do seu talento."
Donna, do quinto andar, sempre me pareceu uma pessoa feliz. Sempre que a encontrava, ela tinha um sorriso no rosto. Acho que é porque ela faz algo de que realmente gosta.
Eu estava agora em frente à porta dela, mas não tive coragem de bater. Não é que eu fosse tímido ou medroso, mas eu podia ouvir música. Donna estava tocando violão e cantando. A voz dela fazia um som tão maravilhoso que, mesmo estando escuro no corredor, eu me senti feliz e contente, como quando o sol está brilhando.
Lembrei-me de como tínhamos falado sobre felicidade na escola.
"Felicidade é quando meu coração se sente quentinho," a Vera tinha comentado.
"Você disse isso de uma forma linda," a professora respondeu, elogiando-a. "Felicidade é um sentimento muito agradável. Mas, quando estamos alegres, estamos super…