Bia Trigo Sarraceno adorava ficar bonita. Ela não conseguia se enfeitar sozinha, mas vivia com uma garota chamada Gabi, que adorava mingau de trigo sarraceno e sempre o decorava lindamente ao prepará-lo. Gabi gostava de inventar diferentes ideias de decoração toda vez. Ontem, ela decorou o mingau com morangos, amêndoas e raspas de chocolate amargo. No dia anterior, Gabi e sua mãe cozinharam trigo sarraceno com cevada para o jantar e incluíram tantos vegetais coloridos que foi um verdadeiro banquete para os olhos. Gabi também sabia como deixar o macarrão de trigo sarraceno e outros pratos do tipo mais atraentes com vegetais coloridos. Assim, Bia Trigo Sarraceno ficava bonita de uma maneira diferente a cada dia.
Mas hoje estava tudo quieto na cozinha. Ninguém nos armários sabia ainda, mas eram férias escolares, e Gabi tinha ido com sua mãe visitar a avó. Bia Trigo Sarraceno esperou e esperou a garota de cabelos encaracolados abrir o armário, pegá-la, cozinhá-la e decorá-la. Mas ninguém apareceu. Bia ficou sentada no armário, em seu pote, suspirando tristemente.
Do seu canto arejado na fruteira sobre o balcão da cozinha, Ana Maçã ouviu o suspiro.
“Quem está suspirando tristemente aí? O que está acontecendo?” perguntou.
“Sou eu, Bia Trigo Sarraceno,” veio a resposta do armário. “Estou triste porque a Gabi não está em casa e sinto falta dela. Mal posso esperar que ela venha me cozinhar criando algo delicioso para, então, me decorar. Ela é muito boa nisso, sempre me deixa tão bonita.”
“Sim, ela deixa,” respondeu Ana, “mas não se preocupe, o pai dela ainda está aqui.”
Bia suspirou. “O problema é que quando o pai dela cozinha, ele não me decora de forma nenhuma. Fico lá no meu casaco marrom. Sem cores brilhantes em lugar nenhum. Nem…